#NUTRIRESPONDE

1 – O que é, necessariamente, o movimento sem carne? Quando ele começou?

 

A Campanha Segunda Sem Carne tem como objetivo trazer mais informações a respeito do consumo de alimentos de origem animal (como as carnes, laticínios, ovos e o mel). 

 

A campanha foca em receitas saborosas e nutritivas, que lembram o que estamos acostumados a comer: como feijoada, moqueca, strogonoff, tudo sem carne. O convite é para descobrir novos sabores pelo menos uma vez por semana.

 

A campanha Segunda Sem Carne, existente em mais de 40 países, como nos Estados Unidos e no Reino Unido (onde é liderada pelo ex-Beatle Paul McCartney).

Aqui no Brasil, o movimento começou no ano de 2009, em uma parceria da Humane Society International (HSI) e da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB). 

 

Os dois principais objetivos são: a redução dos impactos no meio ambiente e a compaixão pelos animais.

 

2 – Ficar um dia sem comer carne, como é o caso desse movimento da segunda sem carne, é um bom primeiro passo para quem está pensando em virar vegetariano/vegano? Por quê?

 

É um passo muito interessante. A pessoa que busca reduzir o consumo de carne consegue se conhecer novos sabores, texturas, experimentar novos pratos sem ter que aprender tudo de uma vez.

 

 

3 – Em sua opinião, como ficar um dia sem comer carne impacta na dieta de uma pessoa? O que muda?

 

Inserir uma receita saudável de origem vegetal gostosa, treina o nosso paladar para começar a gostar mais de sabores dos alimentos mais saudáveis, estimulando a inclusão de verduras, legumes e hortaliças nos outros dias também.

 

O primeiro “sintoma” da dieta sem carne é a regulação do intestino. Muitas pessoas chegam a ficar dias sem ir ao banheiro e quando passam a seguir um ou mais dias vegetarianos voltam a ir ao banheiro todos os dias.

 

A alimentação sem carne em longo prazo, auxilia no emagrecimento, e na prevenção e tratamento de diversos tipos de câncer e do diabetes.

 

4 – Faz falta ficar um dia sem comer carne? O que é necessário comer nesse dia sem carne para substituir da melhor forma possível?

 

Nenhuma falta.

Os principais equivalentes da carne são as leguminosas (feijão, milho, ervilha, quinoa, soja, lentilha, grão de bico). Todos alimentos muito comuns, baratos e fáceis de encontrar.

 

1 bife de 80g tem a mesma quantidade de proteínas e ferro do que uma concha média de feijão.

 

São alimentos com fibras e pouca gordura. Como são alimentos mais leves e de fácil digestão, comer sem carne na hora do almoço, ajuda a reduzir aquele sono que temos após a refeição.

 

5 – O brasil é o país que mais aderiu a esse movimento. Por que os brasileiros abraçaram tanto a causa, na sua opinião?

 

O acesso a informação é o grande responsável pelo aumento dos adeptos a alimentação vegetariana ou com menos carne. Estamos em um momento onde os padrões e exigência do consumidor estão mudando. E não é só aqui no Brasil.

No mundo inteiro se busca consumir alimentos mais conscientes, sem trabalho escravo e sem sofrimento animal. É uma tendência de mercado, mas também é uma necessidade. A forma como consumimos e comemos hoje não é saudável para nosso corpo e o meio ambiente não é capaz de se recuperar da nossa demanda.

 

Para você ter uma ideia, segundo dados do IBGE (2009), o brasileiro consome mais do que o dobro de carne do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para ser saudável e fornecer todos os nutrientes. A recomendação da OMS é de 80 gramas de carnes por dia. Incluindo peixe, frango, presunto e o peito de peru. Em alguns estados, este consumo chega a 220 gramas por dia por pessoa.

 

Ou seja, consumimos muito mais do que precisamos de alimentos que exigem muito dos nossos recursos naturais. Quando comemos mais de um alimento, e não gastamos a sua caloria, engordamos. E quando isso acontece, normalmente comemos menos de outros grupos alimentares, gerando deficiências pelo baixo consumo de legumes, leguminosas e cereais integrais.

 

Além disso, no Brasil, temos uma instituição por trás do segunda sem carne que é referência mundial em eficiência que é a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).

 

E quando temos que ter resultados rápidos, precisamos de grandes mudanças. E a SVB fechou grandes parcerias com o setor público e o privado.

As duas parcerias mais recentes foram com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento de São Paulo (SMADS) que tem mais de 1,2 mil estabelecimentos e com a Natura.

Grande parte do foco da SVB é esta na merenda escolar pública e nos restaurantes bom prato. Apenas no ano de 2018, 67 milhões de refeições à base de vegetais foram servidas com a campanha segunda sem carne.

 

 

 

6 – Você teria alguma dica para quem está pensando em abandonar os hábitos de comer carne?

 

Ser vegetariano não é “só” tirar a carne. É ter uma dieta rica em verduras, legumes, cereais, leguminosas, castanhas, frutas e sementes. Ou seja, para ser saudável, é necessário comer de todos os grupos alimentares.

Recomendo também, que busque um nutricionista especializado para entender qual a necessidade de cada um. Em quantidades e combinações eficientes de alimentos.

Uma dieta sem carne pode ser seguida em todas as fazes da vida, mas em algumas requer mais atenção: como na gestação, introdução alimentar e no caso dos atletas.

O site da Sociedade Vegetariana Brasileira, é um ótimo ponto de partida para começar a se informar. Lá temos guias voltados para a alimentação de adultos e de crianças.

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