Minha primeira viagem para a Floresta Amazônica

Nunca vou esquecer do medo que senti a primeira vez que eu fui, mesmo sendo o meu sonho de criança. E da angústia da minha família por não poder se comunicar comigo em todos os lugares aonde eu estava. 

Acontece que, ir para a Amazônia é um algo meio viciante. Desde a primeira vez que fui para lá, já voltei 5 vezes. Todas para passar mais de um mês. Então a gente vai pegando o jeito do que levar, como lidar com a natureza e com o isolamento das tecnologias. 

Como te disse, para mim, era um sonho de criança. Porém isso não significa que cresci na mata nem nada disso. Sou paulistana, ando de carro, uso computador tudo, tudo normal. Não tinha nenhuma habilidade especial, a não ser coragem e força de vontade. 

Por que eu quis tanto ir? 

Quando eu era criança, vi a foto de um homem de 1,8m em uma revista ao lado de uma folha que era maior que ele. Foi a primeira vez que eu ouvi falar também da samaúma, uma das maiores árvores do mundo. Uma árvore que para dar a volta completa nela, são necessárias de 10 – 15 pessoas com os braços esticados.

Em 2018 um grande amigo foi para lá estudar as culinárias tradicionais indígenas. Pasme ou não, os indígenas basicamente se sustentam com o turismo étnico cultural. E principalmente recebendo estrangeiros.

E, o cuidado com a alimentação (higiene, variedade, cozinha a base de vegetais) é importante para receber a estas pessoas. Os turistas tem estômago mais sensível e muitos são vegetarianos.

Dieta muuuito diferente do habitual das populações indígenas e ribeirinas, que basicamente se alimentam da caça e da pesca. Com um histórico semi-nômade, não tem o hábito de plantar grandes variedades de alimentos. 

Consomem frutas como o açaí, buriti, banana verde e madura da terra, mandioca (macaxeira) e milho como base da alimentação além das carnes.

Porém, legumes, verduras, hortaliças, não são comuns. Esse meu amigo chegou neste contexto de trabalhar na cozinha e eventualmente, fui com ele. Cozinhar vegetais em um festival indígena. Foi um mês na Aldeia Yawarani, aldeia que fica na região amazônica do Acre.

Tem história para umas horas de papo, mas vou me atentar as coisas aqui que me fizeram voltar tantas vezes:

  1. A língua – a língua Yawanawa. É como um mantra indiano sabe? Tem a frequência da cura e da própria natureza. É uma língua que ativa na hora nosso chackra cardíaco.
  2. A comunicação – não tem jeitinho, falar mal, reclamar do outro. Tudo é objetivo e sem ruídos. Precisa resolver algo, falar algo, resolver um problema? Conversa diretamente com quem tem que conversar. Elogios e críticas são feitos em público e sem segredos. Um MEGA aprendizado que estou dando os meus passos.
  3. Gerenciamento da comunidade – Caso haja algum conflito atrapalhando a dinâmica da comunidade mal resolvido, as partes envolvidas são chamadas para conversar. Um mediador mais sábio vai ajudar na resolução do problema.
  4. Respeito aos mais velhos – e às suas sabedorias, medicinas, histórias.
  5. Falando nas histórias – os conhecimentos, forma de viver, cultura, são contatos através de histórias, lendas e metáforas.
  6. As músicas. Nossa….as músicas ! São a pura cura da humanidade. Incríveis. Músicas de comemoração, de cura, de pajelança, de alegria.
  7. As sagradas medicinas! Uni, rapé, sanaga, kambô, ayahuasca (uni) são medicinas de cura e conexão espiritual que são originárias da amazônia. E quem melhor do que próprios guardiões da floresta para servir as medicinas para nós, não é mesmo.

 

por Vanessa Menck,

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